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Designing a New Year

Designing a New Year

Design de interiores de Lucie Rouland

Sempre gostei desta ideia (que soa melhor em inglês do que em português) de designing our year.

Se o design, na sua essência, tem a ver com decisões muito deliberadas e conscientes acerca da forma como queremos que algo exista no mundo (seja um logotipo, uma casa, uma marca, uma refeição, um produto, etc..), tudo aquilo que fazemos de forma intencional pode na verdade ser "desenhado", inclusive o nosso ano. E é possível, se em vez de nos ficarmos pelas previsões, objetivos vagos, motivação e força de vontade, o projetarmos de uma forma muito concreta e intencional.

No design de interiores, por exemplo, não é possível controlar a luz que entra numa casa todos os dias, nem a forma como as pessoas habitam os espaços. Mas se nos questionarmos para quem é aquele espaço e como é que se vai viver ali, é possível criar as condições para que algo de bom aconteça, e a vivência nesse espaço seja a melhor possível. 

Se o nosso ano (à semelhança de uma casa) também for um espaço a habitar, podemos questionar-nos  como queremos viver os nossos dias, como nos queremos sentir, e o que queremos alcançar. E assim será possível desenhar um ano que se alinhe melhor com os nossos sonhos e desejos mais profundos.


Designing your life is about
intention, and it´s about making
decisions about what you want
your life to look like and then
create a plan to try to
make that happen.
- D e b b i e  M i l l m a n

Imagens Pinterest

E talvez por em 2025 não ter conseguido concretizar tudo aquilo que queria, e de algumas coisas importantes terem ficado pelo caminho (essencialmente por má gestão do meu tempo), comecei este ano com um sentimento de urgência de o planear bem e, acima de tudo, de uma forma antecipada, já que quero fazer algumas mudanças importantes no meu trabalho e na minha marca em geral.

Das várias coisas que tenho lido e visto, partilho abaixo algumas das que achei mais úteis e interessantes, e que estou a utilizar como linha orientadora deste meu ano.

Talvez vos seja útil também.


Pensar em sistemas mais do que em objetivos

Definir objetivos é fácil, mas o que diferencia daqueles que os conseguem alcançar dos que não conseguem, são os sistemas que usam para os concretizar.

Ou seja, os sistemas são as estratégias que utilizamos para alcançar os nossos objetivos, cujo mindset não é: "quero X", mas sim: "o que faço todos os dias que me aproxima de X?"

Vou dar um exemplo prático: um dos meus objetivos para este ano é alcançar os 15.000 seguidores no Instagram. E como tal, tenho estado a planear todo um conjunto de passos que passam por:

 - fazer mais reels e carrosséis

- ser mais consistente e regular na plataforma e tentar criar conteúdos relevantes dentro do meu nicho

- aparecer mais (porque já percebi que isso ajuda a criar uma ligação maior com quem está do outro lado.)

- ir fazendo, de vez em quando, pequenos patrocínios que ajudem o meu trabalho a ser visto por mais pessoas (geralmente não gasto mais do que 20€ de cada vez), visto que o Instagram apenas apresenta os nossos conteúdos a um grupo reduzido de pessoas

Tenho vindo também a ganhar o hábito de gravar diariamente pequenos vídeos, e de tirar fotos com regularidade, de forma a não ter falta de conteúdos quando precisar.

E este é apenas um pequeno exemplo que ando a expandir para todos os meus restantes objetivos.

Se gostavam de aprofundar este tema, recomendo este vídeo do Ali Abdaal, bastante educativo e esclarecedor. 

Design de interiores de Lucie Rouland


Fazer um Regret Preview

Este conceito de regret review, vi-o  neste vídeo do Daniel Pink e achei bastante interessante. Consiste em identificar o nosso maior arrependimento do ano passado, reconhecer onde errámos, e traçar um pequeno plano para evitar repetir o mesmo erro em 2026

No meu caso, o meu maior arrependimento foi não ter dedicado tempo suficiente aos projetos mais artísticos que queria desenvolver, e o erro foi não ter reduzido a produção das minhas peças mais comerciais para dar espaço e tempo de concretizar as outras. Situação essa que já está a ser resolvida deste mês, geralmente também mais tranquilo a nível de encomendas.

Fazer um Premortem

Também achei interessante, nesse mesmo vídeo do Daniel Pink, a ideia de fazer um premortem, ou seja, projetarmo-nos para 31 de dezembro de 2026 e imaginar que os nossos objetivos não foram alcançados e sentir essa dor (quando penso nisso sinto uma dor bem grande). E depois utilizar isso como combustível para avançar com os projetos que queremos, antecipar eventuais obstáculos e planear soluções antes que aconteçam.

Usar o tempo de forma intencional

A gestão de tempo é, sem dúvida, um dos meus calcanhares de Aquiles, e por isso, este ano, este é um dos pontos no qual estou mais focada. Demorei muito tempo a perceber que se saio quase todos os dias do atelier sem ter feito tudo o que quero, não é por falta de tempo, mas por má gestão daquele que tenho. Então a única solução é usar o meu tempo de forma mais intencional. Distrair-me é das coisas mais fácil do mundo para mim, e por isso quando começo o dia tenho-me tentado não esquecer desta frase, e ser super cuidadosa com o meu tempo. (se somos tão zelosos e cuidadosos com o nosso dinheiro, porque não o somos também com o nosso tempo?)

"Se não planeares o teu tempo, alguém irá ajudar-te a desperdiçá-lo". Zig Ziglar

Imagens Pinterest

Escolher uma palavra-tema para o ano

A primeira pessoa que ouvi falar nesta ideia foi uma autora americana que se calhar vocês também conhecem, a Gretchen Rubin (autora do famoso livro "The Happiness Project"), mas só este ano, pela primeira vez, senti vontade de vontade de a abraçar e de a pôr em prática. A ideia consiste em escolher uma palavra que seja uma espécie de bússola para o ano, e nos oriente nas escolhas, decisões e ações.

Não é uma palavra ideal, mas uma palavra necessária para o nosso ano.

E também importante salientar é que esta palavra-tema não é algo que se cumpre, é algo que se pratica. E por isso existirão dias em que provavelmente nos iremos afastar dela. E outros em que nos voltamos a aproximar.

E embora tenha algumas em mente, ainda não me decidi totalmente (irei fazê-lo até ao final deste mês), mas partilho entretanto as que estou mais inclinada a escolher:

- inovação (porque preciso de inovar a minha marca e fazer coisas novas)

- coragem (porque preciso de coragem para sair da minha zona de conforto e ser mais criativa -lembro-me sempre da frase "Creativity takes courage")

- alegria (porque preciso de recuperar uma nova alegria no trabalho, visto que no últimos tempos me senti um bocado estagnada no atelier)z



26 coisas para 2026

Por fim, decidi seguir esta ideia, também da Gretchen Rubin, e criei uma lista de 26 coisas que gostava de fazer em 2026, mas da qual não me sinto refém. Apenas achei uma ideia gira e divertida (com alguns desafios interessantes), pelo que resolvi experimentar. E, claro, vou tentar concretizar todos os pontos. E gosto de os ter escritos (tenho todos apontados à mão num caderno) pois assim é mais fácil não me esquecer de nenhum. Ao longo do ano irei partilhando  feedback convosco, também para me obrigar a cumpri-los :)

Partilho abaixo os itens MENOS PESSOAIS da minha longa lista:

1. Ir à London Craft Week

2. Ir conhecer Malta pela primeira vez

3. Melhorar a decoração da minha sala e do meu quarto

4. Fazer uma ou duas feiras (a da Stylista é a que me está debaixo de olho há mais tempo, vamos ver se é possível)

5. Fazer uma exposição

6. Fazer dois posts por mês aqui no blog

7. Lançar a minha Newsletter (projeto que era para ter começado no ano passado mas que não consegui)

8. Melhorar os meus conteúdos em vídeo

9. Conhecer cinco novas Galerias em Lisboa

10. Estudar e aprofundar a obra de artistas que admiro

11. Chegar aos 15 000 seguidores no Instagram

12. Continuar a escrever à mão no meu diário

13. Organizar num disco externo as centenas de fotos que tenho 

14. Ter dois pontos de venda novos no país

15. Escrever todas as semanas uma coisa boa que aconteceu nessa semana, e aguardar numa caixinha para ler no final do ano. Se não falhar nenhum, serão 52 momentos felizes na minha vida que terei a felicidade de relembrar no final do ano.

16.  Ir conhecer a Madeira pela primeira vez

17. Todos os dias no atelier ler a página dedicada a esse dia do livro "How to live an Artulful Life", da Katy Hessel, que comprei este ano.  É um ótimo mindset para começar o dia de trabalho.

18. Reservar tempo para não fazer nada

19. Fazer trabalhos mais artísticos

20. Usar o meu tempo de forma intencional

(os restantes 6 vão ficar apenas escritos no meu diário)


BOM ANO A TODOS❤

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