Steal like an Artist


Se leram este post, devem recordar-se que este era um dos livros que queria muito ter cá por casa. Encomendei-o pelo Book Depository que, para quem não conhece, é uma plataforma de venda online de livros que recomendo vivamente não só porque aqui os livros estão muitas vezes em promoção, mas acima de tudo porque os portes de envio são gratuitos para o mundo inteiro.

Sem exagerar, o "Steal Like an Artist" foi um dos livros mais interessantes e divertidos que li nos últimos meses, e acho que devia ser lido por todos os criativos, sejam de que área for. O livro está repleto de dicas e reflexões interessantes para quem está a pensar injetar um pouco de criatividade na  vida e no trabalho. Ou seja, a maior parte de nós!
Por isso, fiz um apanhado (para eu própria não me esquecer) de algumas das ideias mais interessantes.



1 | Um artista é um colecionador de boas ideias

Austin Kleon diz que seremos tão bons quanto as coisas de que nos rodearmos. O trabalho do artista é colecionar boas ideias, e para isso temos de nos rodear das melhores influências.
Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work will be authentic.  Jim Jarmusch

No meu caso, ler é super importante, assim como andar sempre com um caderno e lápis na mala. Frequentemente faço apontamento e escrevo ideias que me surgem do nada, ou ideias boas que outras pessoas tiveram e que me inspiram. Também adoro transcrever passagens de livros interessantes, como este. Por isso, os meus cadernos tornaram-se numa coletânea daquilo que considero serem boas ideias. Sempre que elas me faltam, é só pegar neles e folhear algumas páginas.

2 | Nada é original, tudo é um remix 

Jonathan Lethem diz que quando alguém chama a qualquer coisa de "original ", nove em cada dez vezes essa pessoa apenas não sabe a referência ou a fonte original envolvida.
What a good artist understand is that nothing comes from nowhere. All creative work builds on what came before. Nothing is completely original.

Já Picasso dizia que a arte é roubo, e Salvador Dalí que quem não quer copiar nada, não produz nada. Se para alguns esta ideia pode ser um pouco depressiva, Austin Kleon diz que a ele o enche de esperança. Se nos libertarmos da ideia paralisante de que temos de fazer uma coisa única e completamente  original a partir do nada, podemos mais facilmente abraçar a influência daqueles que nos inspiram, em vez de fugirmos dela. E a partir daí é mais fácil começar a construir qualquer coisa.


3 | Não esperes até saber quem és ou o que queres fazer para começar a ser criativo

If I´d waited to know who I was or what I was before I started "being creative", well, I´d be sitting around trying to figure myself out instead of making things. Austin Kleon

Austin Kleon diz que é justamente no ato de sermos criativos e de fazermos trabalho criativo que acabamos por  descobrir quem verdadeiramente somos e o que queremos fazer. Na verdade, estamos mais que prontos para começar, temos apenas medo. Se esperamos até termos certezas do que somos ou do que queremos fazer, nunca faremos nada. O trabalho criativo é justamente feito de incertezas, dúvidas, avanços e recuos. Como ele diz: "Ask anybody doing truly creative work, and they will tell you the truth: they don´t know where the good stuff comes from. They just show up to do their thing. Every day. "

4 | Começa por copiar

Ninguém nasce com uma voz ou um estilo próprio. Não chegamos ao mundo a saber quem somos e o que queremos fazer. No início, como toda a gente, aprendemos por imitação dos nossos heróis, ou seja, aprendemos através da cópia. Antigamente, os artistas iam para os museus e copiavam o trabalho dos seus mestres. Hoje devemos continuar a fazer exatamente o mesmo. Como é que aprendemos a escrever? A copiar o alfabeto. Os músicos aprendem a tocar praticando escalas. Aprendemos a fazer boa fotografia a copiar o trabalho de bons fotógrafos. No entanto, é preciso perceber que estamos a falar de prática, não de plágio.  Plágio é tentar fazer passar por nosso o trabalhos de outro. Copiar é aprender o processo para se perceber como faz.
Por isso:
Start copying what you love. Copy, copy, copy. At the end of the copy you will find yourself. Yohji Yamamoto
E o que devemos copiar? Os nossos heróis e as pessoas que adoramos e que nos inspiram. O escritor Wilson Mizner dizia que se copiarmos um só autor é plágio, mas se copiarmos de vários, já é pesquisa. Se temos apenas uma pessoa que nos inspira não seremos originais, mas o mesmo não acontece se formos inspirado por vários.

No entanto, depois chega um ponto em que não podemos apenas imitar o trabalho do outros. Conan O´Brian disse uma vez que os comediantes novatos acabam por encontrar a sua própria voz quando tentam (e falham) imitar os seus heróis. É justamente no nosso falhanço de imitar aqueles que admiramos que em última instância nos definimos e nos tornamos únicos. Por isso copia-os e examina onde ficas aquém. E depois pensa: o que é que me faz diferente? E é isso que devemos ampliar e transformar no nosso próprio trabalho.

In the end, merely imitating your heroes is not flattering them. Transforming their work into something of your own is how you flatter them. Adding something to the world that only you can add. Austin Kleon
Imagens Homes in Colour

5 | Escreve o livro que gostarias de ler

Confesso que aplico muitas vezes no blog este princípio. Umas vezes melhor que outras, tento permanentemente escrever o blog que eu própria gostaria de ler. A melhor (e única) forma de criticar o trabalho dos outros é fazendo um trabalho melhor

Se pudéssemos juntar todos os nossos heróis criativos numa única colaboração sob a nossa direção, o que é que eles produziriam? A ideia é:
Draw the art you want to see, start the business you want to run, play the music you want to hear, write the book you want to read, build the products you want to use - do the work you want to see done.
Quando comecei este blog, em Abril de 2014, não percebia absolutamente nada sobre sobre blogs e nem sequer era grande conhecedora do mundo da decoração e do design. Mas lembro-me que ficava horas a ver blogs sobre esses temas mas que nunca encontrava no mesmo blog todos os assuntos que gostava. Por isso, este blog foi justamente a minha tentativa de colocar num único espaço todas as coisas que gosto.

O que nos leva a mais outra das ideias do autor (que adoro) que é: não escrevas sobre aquilo que sabes, mas sobre aquilo que gostas. Eu comecei a escrever este blog não porque era uma grande expert nesta área (pelo contrário) mas porque ADORAVA esta área. E, eventualmente, justamente por gostar tanto, comecei a dominá-la um pouco melhor. Ainda hoje não sou uma especialista (nem é esse o meu objetivo), apenas partilho ideias, produtos e projetos que  adoro.

You don't´put yourself online because you have something to say - you can put yourself online to find something to say. The Internet can be more than just a resting place to publish your finished ideas- it can also be an incubator for ideas that aren´t fully formed, a birthing center for developing work that you haven´t started yet. 

6 | A fórmula (não) secreta

A única fórmula (que não é assim tão secreta) que existe para sermos reconhecidos pelo nosso trabalho é tão simples como : fazer bom trabalho a partilhá-lo com as outras pessoas. É um processo em dois passos : 1. fazer BOM trabalho (o que é extremamente difícil e implica um trabalho contínuo de quedas, avanços e recuos); 2. Partilhá-lo com as outras pessoas, coisa que até há 10 anos atrás era bastante difícil, mas que hoje em dia com a internet, não podia ser mais fácil. Se o fizermos, mais tarde ou mais cedo acabamos por ter o devido reconhecimento.

Foca-te num tema ou ideia que te apaixona e convida os outros a fazerem parte desse processo. Quanto  mais aberto estivermos a partilhar as nossas paixões, mais próximas as pessoas se sentirão do nosso trabalho.

7 | Junta-te e segue aqueles que são melhores que tu

"You´re only going to be as good as the people you surround yourself with." Nesta era digital isso significa seguir apenas os melhores online, ou seja, as pessoas mais interessantes e melhor que nós, que estão a fazer trabalhos realmente bons. Harold Ramis costumava dizer:

Find the most talented person in the room, and if it´s not you, go stand next to him. Hang out with him.

Se alguma vez acharmos que somos nós a pessoa mais talentosa na sala, é porque precisamos (urgentemente) de mudar de sala. Eu pessoalmente acredito que esta é realmente a melhor (e única) forma de se evoluir. Não me canso de seguir, a ler, a observar todos aqueles (tantos!) que são melhores que eu e que, indiretamente, me estimulam a ser cada vez melhor. Pessoas como a Holy Becker, a Marie Forleo, Grace Bonney, Elizabeth Gilbert, Darren Rowse, Gretchen Rubin são algumas das minhas grandes referências cujo trabalho acompanho regularmente.

8 | Pouco a pouco faz-se muito

Um grande corpo de trabalho consegue-se pela lenta acumulação de pequeno trabalho diário. Escrever uma página todos os dias não parece muito, mas se o fizermos durante 365 dias já temos páginas suficientes para escrever um livro.  Escrever 3 posts no blog por semana pode não ser muito, mas ao final de 3 anos (como eu) consegue-se um blog com quase 500 posts escritos. A ideia é não quebrar a corrente de trabalho e ir fazendo todos os dias um bocadinho. Ao final de um certo tempo teremos uma quantidade gigantesca de trabalho feito.

9 | Criatividade é subtração

Nesta era de abundância de informação, os que conseguem chegar à frente são aqueles que descobrem o que deixar para trás. Esta é a única forma de nos conseguirmos concentrar no que é realmente importante. Nada é mais paralisante que a ideia de infinitas possibilidades. A perceção de que podemos fazer (quase) tudo o que queremos pode ser terrível.

Por isso, a melhor forma de ultrapassar bloqueios criativos é colocarmos barreiras à criatividade. Parece contraditório, mas a verdade é que, no que toca à criatividade, limitar pode significar mais liberdade. Austin Kleon sugere: "Write a song in your lunch break. Paint a painting with only one colour. Start a business without any star-up capital. Shoot a movie with your iPhone and a few of your friends. " Não cries desculpas para não trabalhar. Faz coisas com o tempo, espaço e recursos que tens agora, neste momento. Muitas vezes são esses constrangimentos que nos levam a fazer o nosso melhor trabalho.

Telling yourself you have all the time in the world, all the money in the world, all the colours in the palette, anything you want- that just kills creativity. Jack White 

A fotografia é, por exemplo, um ótimo exemplo desta teoria. Para mim, as melhores fotografias não são aqueles que mostram toda a informação, mas sim aquelas em que o fotógrafo é capaz de isolar e captar certas partes mais interessantes. Ou seja, é geralmente aquilo que o artista escolhe deixar fora que torna a obra interessante.

In the end, creativity isn´t just the things we choose to put in, it´s the things we choose to leave out. CHOOSE WISELY AND HAVE FUN.

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