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Where Should I begin?

Ás vezes dou dois passos atrás, mas é só para ganhar balanço.
Unknwon

Ás vezes ainda nem acredito que já se passaram mais de dois meses desde que escrevi o último post e que entretanto já mudámos de ano. Foi só apenas há pouco mais de dois meses que o escrevi, mas na verdade tenho a sensação que já foi há uma eternidade. É sem dúvida nos momentos de crise da nossa vida que nos apercebemos claramente da questão da relatividade do tempo. Plínio (filósofo grego) dizia que quanto mais felizes, mais breve o tempo. Apercebi-me violentamente que o contrário também se verifica.
Things often get harder, before they get easier. Gretchen Rubin 
Imagem Simplicite

Embora da última vez tivesse escrito que acreditava que haveria de regressar aqui, houve vários momentos em que verdadeiramente achei que aquele tinha sido o meu último post. Não só porque de repente perdi completamente a vontade e inspiração para escrever (e acredito que quando não se tem nada de interessante para dizer o melhor é mesmo ficarmos calados) como acima de tudo me comecei a sentir terrivelmente afastada dele, quase como se este blog não me pertencesse, e os quase 600 posts aqui publicados nunca tivessem sido escritos por mim (ou tivessem, mas numa outra vida que não esta).

Foi desconcertante esse sentimento de estranheza, e acima de tudo essa falta de proximidade a um projeto que durante mais de 4 anos me tinha sido tão querido, tão amado e vivido de uma forma tão intensa (por vezes quase obsessiva).

Imagens Pinterest

Mas há uns dias atrás começou a (re)nascer em mim uma secreta vontade de regressar aqui. Como que umas saudades de qualquer coisa que ainda nem sei bem explicar o quê.

E por isso, aqui estou eu hoje, com uma estranha e suave felicidade no coração. Estou sentada confortavelmente no sofá da sala, ouço na televisão o crepitar acolhedor de uma lareira de um canal zen que sintonizei, tenho duas gatinhas macias aninhadas ao pé de mim e o aroma delicioso de uma vela de laranja e especiarias feita à mão por uma querida amiga minha a perfumar o ar. E sinto-me estranhamente em paz. 


Don't grieve. Anything you lose comes round in another form. Rumi

Tenho a sensação que começo finalmente a regressar a mim e que as coisas tanto à minha volta como cá dentro começam a ganhar um novo sentido.


Imagem Yellowish

Da dor e dos lugares escuros que visitei e descobri dentro de mim nos últimos meses acho que não vale muito a pena falar. Das lições que terei aprendido com eles também ainda é cedo para partilhar pois ainda não tive tempo para processar tudo o que passou. Por isso, na verdade, ainda não tenho nada de muito interessante para partilhar convosco, excepto uma pequena história que no outro dia ouvi a interessante psicóloga Esther Perel contar e que me tocou de alguma forma.

Catastrophe has a unique way of propelling us into the essence of things. - Esther Perel
                                                                                               Imagem Yellowish

Nascida na parte flamenga da Bélgica, Esther Perel é uma das filhas de dois imigrantes polacos que da família inteira foram os únicos sobreviventes do holocausto. O pai de Esther tinha nove irmãos, a mãe sete e apenas eles os dois sobreviveram à tragédia.

Uns anos mais tarde, Esther, com a sua perspicácia e capacidade única de observação, apercebeu-se claramente que daquela experiência dramática tinham ficado dois tipos de pessoas e famílias: aquelas que tinham apenas sobrevivido à desgraça, e aquelas que tinha tido a capacidade de regressar à vida.

Imagem Yellowish

As primeiras foram pessoas para quem o mundo se tornou um lugar perigoso, que nunca mais conseguiram confiar em ninguém nem ter prazer ou alegria na vida porque se o fizessem significaria que não estavam em alerta e que coisas más podiam acontecer.

As segundas, foram aquelas que tal como os seus pais tiveram a capacidade extraordinária de se aperceber que lhes tinha sido dada uma oportunidade única de viver uma vida nova.

My parents didn't just want to survive, they wanted to revive. They wanted to embrace vibrancy and vitality in the mystical sense of the word. I owe them much of my perspective on life, as well as my beliefs in the power of will, the search of meaning and the resilience of the human spirit." Esther Perel

Imagem Yellowish

E é esta ideia de sermos capazes de não nos deixarmos destruir pelas coisas difíceis que nos acontecem e de termos a capacidade de nos re-inventarmos, re-imaginarmos e recuperarmos a vitalidade, fé e propósito na vida que mais me fascina nesta história tão real quanto simbólica. 

Cada um de nós tem a capacidade de o fazer à sua maneira e dentro do seu próprio tempo, e eu pessoalmente tenho-o tentado fazer devagar, com alguma alguma paciência e uma ligeira fé (que a cada dia que passa se torna mais forte) de que nada acontece por acaso e que "a vida tem sempre razão" (mesmo quando nem sempre a compreendemos ou temos dificuldade em aceitar).


And it´s from this place of inner trust that I want to begin my new year (respondendo à frase com que comecei o post de hoje)


Imagem Yellowish

P.S. Aproveito para agradecer todas as mensagens públicas e privadas que carinhosamente e de uma forma totalmente inesperada recebi de todos vocês quando escrevi o último post. É também por elas (e graças a elas) que começo aos poucos a ter vontade de regressar aqui. Obrigada por estarem desse lado e votos sinceros de um 2019 feliz, generoso e abundante para todos vocês.