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Entre Livros, Arte e outras coisas mais

Entre Livros, Arte e outras coisas mais

"A nossa imaginação, esse talismã secreto, investe de beleza 
aquilo que toca. Sonhamos, escrevemos e criamos para isso,
para tentar roçar a beleza do mundo".
Rora Montero
Fotografia Daniela Sousa

Hoje partilho convosco algumas notícias aqui do meu mundo, das coisas que nas últimas semanas tenho andado a fazer, a ler, a ver e a ouvir. Não tenho conseguido manter a cadência a nível de publicações que gostaria, mas é sempre uma alegria partilhar coisas que gosto e que me inspiram, na esperança de que eventualmente também vos inspirem a vocês.

1. Um livro que gostei muito

E começo por partilhar o último livro que li e que adorei. É da Rosa Montero, autora que só conheci há  pouco tempo, e cuja escrita inteligente me cativou por completo. Quando um livro nos toca, sentimos quase que lhe devemos qualquer coisa. 
Por isso, falar dele hoje aqui, é a minha forma de lhe retribuir .

"A Louca da Casa", a obra mais pessoal desta escritora, é difícil de classificar. Não é propriamente um romance, nem um ensaio nem uma autobiografia. É um pouco de tudo isso ao mesmo tempo. A própria autora brinca constantemente com o leitor, misturando factos reais, memórias, invenções e reflexões sobre o que significa escrever e imaginar.


O título vem de uma expressão de Santa teresa de Ávila, que chamava à imaginação "a louca da casa", e a Rosa Montero apropria-se dessa imagem para defender a ideia que a imaginação é indisciplinada, caótica e, por vezes, enganadora, mas é precisamente ela que torna possível a criação artística e até a construção da nossa própria identidade. Como ela diz: ...na pequena noite da vida humana, a louca da casa acende velas.". 

Aprendi imensas coisa sobre livros e sobre escritores (fiquei abismada, por exemplo, com a pobre história de vida do poeta Rimbaud) e foi um livro que gostei mesmo de ler.

2. Um podcast inspirador

Como já partilhei convosco algumas vezes, ouvir podcasts é das coisas que geralmente não me falta quando estou no atelier a trabalhar. Apenas com as mãos ocupadas, a descoberta de podcasts veio não só preencher a minha sede de conhecimento,  como também ajudar a passar o tempo nos momentos mais aborrecidos do trabalho. 

Desde o podcast "Design Matters", que me acompanhou durante a pandemia, passando pelo "Where Should I Begin", da Esther Perel, passando também pela "Beleza das Pequenas Coisas " (o único podcast em português que oiço), descobri recentemente o "The Great Woman Artists", da Katy Hessel , que, para além de me inspirar muito, também me tem ajudado a cumprir outro dos meus objetivos para este ano que é o de aprofundar os meus conhecimentos sobre o trabalho de artistas que gosto e admiro.

Um dos últimos episódios que ouvi e adorei foi sobre a Georgia O'Keeffe, artista cuja obra admiro há muito tempo. O episódio faz-se à conversa com a Wanda Corn,  autora do livro "Living Modern", sobre a vida e obra da artista, que nos mostra de uma forma muito interessante, que a verdadeira modernidade de Georgia O'Keeffe não está apenas na sua pintura, mas na forma como escolheu viver. A sua roupa, as fotografias que autorizava, a forma como decorou as casas onde viveu , o seu jardim, e até a forma como se apresentava em público faziam parte da sua obra e eram extensões da sua criatividade.
 
Imagem via

Claro que assim que ouvi o episódio fiquei logo com vontade de ir descobrir imagens do interior das suas casas, já que Wanda Corn enfatiza que O'Keeffe foi particularmente cuidadosa com essa área de vida, assim como com as peças de roupa com que aparecia sempre vestida (maioritariamente pretas). A casa era uma continuação da sua prática artística, e um lugar onde a natureza, a luz e os objetos dialogavam entre si. E efetivamente, adorei as imagens que encontrei.  A decoração podia perfeitamente  ter sido feita nos dias de hoje.


O'Keeffe surge no episódio não apenas como uma grande artista, mas como alguém que teve a coragem de inventar uma maneira de estar no mundo. Foi uma mulher que transformou a própria vida numa obra de arte, recusando convenções e afirmando uma independência rara para uma mulher da sua época.


3.Brincos novos na loja online

Este ano, os brincos têm sido a maior fatia das minhas vendas, pelo que tenho investido mais tempo nessa área de trabalho e não tanto em peças novas, e estou bastante contente com os modelos novos que criei e que os poucos tenho vindo a partilhar convosco no Instagram. Os mais recentes na loja online são os Ingrid, que tenho em três variações de cor: preto, branco e azul.
Os pretos são sem dúvida os meus preferidos, mas até agora, os brancos são que se têm vendido mais.
Podem descubri-los aqui.

Fotografia Daniela Sousa



4. Um filme comovente 

Queria também partilhar convosco um filme que vi recentemente e que me comoveu bastante, coisa que já não me acontecia há um tempo. Passou há um tempo nas salas de cinema cá em Lisboa, mas na altura não consegui ver, pelo que assim que o descobri no Filmin fui imediatamente ver. 

Chama-se "Surda" (no original "Sorda") e acompanha a história de Angela, uma mulher surda, durante um momento importante da sua vida - a gravidez e a chegada da maternidade - e as implicações que isso vai ter na sua vida e nas suas relações.


Primeiro, um das coisas que mais gostei foi o facto do filme não apresentar a surdez apenas como uma limitação, mas também como uma cultura e uma forma própria de estar no mundo. Muitas vezes o cinema fala da deficiência apenas através da falta, mas aqui há uma identidade, uma comunidade, uma língua, e uma forma diferente de perceber o tempo, o espaço e as relações, e achei isso mesmo muito interessante. Em vários momentos, somos nós, espectadores ouvintes, que sentimos a desorientação, o silêncio ou a dificuldade de comunicação.

Depois, outra das coisas que mais gostei foi o facto do silêncio estar no centro do filme. Numa época  profundamente ruidosa, este filme impacta porque nos devolve o silêncio. Não o silêncio como ausência, mas o silêncio como espaço e como forma de comunicar. E também nos mostra que o amor não precisa de palavras.



E acho que o filme também acerta num outro ponto porque mostra uma relação amorosa que parece verdadeira. Não perfeita, mas verdadeira. Hoje, muitos filmes confundem intensidade com amor. As relações vivem de grandes declarações, conflitos constantes ou gestos espetaculares. Em Surda, acontece quase o contrário. O amor manifesta-se em pequenas coisas. Na paciência. Na atenção. Na tentativa sincera de compreender o outro. Na disponibilidade para aprender uma forma diferente de comunicar. E gostei muito disso.

O filme está cheio de vários momentos muito tocantes que não vale a pena revelar aqui, mas sem dúvida que vale a pena ver.




5.Um artigo na Revista Voyage LA 

Há umas semanas atrás fui contactada pela grupo editorial da revista americana Voyage LA, e qual não foi o meu espanto quando me disseram que queriam publicar um artigo sobre o meu trabalho e o meu percurso. Foi mesmo uma agradável surpresa, acima de tudo porque já não comunico muito em inglês nas minhas redes sociais, mas fiquei mesmo feliz com este destaque. Está tudo em inglês, mas se tiverem curiosidade, podem ler o artigo completo aqui.




6. Uma viagem à Madeira

Por fim, na semana passada voei até à Madeira com o meu namorado para mais uma semana de férias e, como já esperava, fiquei completamente encantada. Foi a minha primeira vez nesta ilha de clima e águas amenas, onde os olhos se enchem de verde e a alma parece mais leve perante a beleza quase exuberante da paisagem. Há qualquer coisa na Madeira que me provocou uma sensação boa de familiaridade e conforto, mas pode ter sido apenas o facto do meu namorado já lá ter ido mais de vinte vezes em trabalho e me ter transmitido essa sensação. Também ele é um apaixonado pela ilha.


O tempo soube a pouco para tudo o que há para descobrir na Madeira onde, confesso, até me imaginei a viver. 
Mas das várias experiências que levamos connosco, destaco os percursos pelas levadas (fizemos a dos Balcões e a das 25 Fontes) sempre rodeados por uma vegetação impressionante; o passeio pelo maravilhoso Jardim do Mar, onde fomos a banhos nas suas piscinas naturais e onde bebi o melhor mogito de maracujá de sempre; a beleza tranquila da Ponta do Sol, com a sua magnífica pousada e um jantar delicioso; as casinhas típicas de Santana; a praia do Seixal; as piscinas naturais de Porto Moniz; a vista vertiginosa do Cabo Girão: a visita ao MUDAS (o Museu de Arte Contemporânea da Madeira)e, claro, o Funchal, que não consegui explorar como gostaria, mas que percebi ser uma cidade interessante.


A Madeira ficou-me no coração (hoje regressei ao trabalho mas ainda estou com a cabeça lá), e espero mesmo conseguir regressar num futuro próximo. Porque na verdade, cada vez que me começa mais agradar mais esta ideia de trocar as habituais férias no Algarve por umas nas nossas belas e maravilhosas ilhas.

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